
Iniciativa reúne pesquisadores e comunidades tradicionais para monitoramento hídrico e climático na Amazônia (Foto: Projeto Iniciativa AM+10
O projeto Rede de Monitoramento Cidadão: fomentando resiliência hídrica e climática em comunidades amazônicas, coordenado em Rondônia pela professora da Universidade Federal de Rondônia (UNIR) e coordenadora científica do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA/Inpa-MCTI) no estado, Nara Luisa Reis de Andrade, foi reconhecido na categoria Prática Inspiradora da nona edição da campanha nacional #AprenderParaPrevenir: Cidades Sem Risco.
A premiação ocorreu no dia 27 junho, em São Bernardo do Campo (SP), e é promovida pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), pela Secretaria Nacional de Periferias do Ministério das Cidades, pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) em parceria com o Ministério da Educação (MEC).
A Campanha tem objetivo de mobilizar escolas, organizações da sociedade civil, instituições religiosas e redes locais para enfrentamento dos riscos de desastres e adaptação climática.
O projeto foi reconhecido no eixo Desastres não são naturais: justiça climática e direito à vida. Em desenvolvimento desde 2024, a Rede de Monitoramento Cidadão é uma iniciativa colaborativa que reúne pesquisadores com as comunidades tradicionais, representadas por indígenas, quilombolas e ribeirinhos das bacias dos rios Guaporé e Machado, em Rondônia.
A iniciativa conta com o apoio do Programa LBA, da Rede Internacional de Pesquisa Resiliência Climática (RIPERC) e financiamento da Iniciativa Amazônia +10, por meio das fundações de amparo à pesquisa dos estados de São Paulo (Fapesp), Paraná (Fundação Araucária), Amapá (Fapeap) e Rondônia (Fapero). Foi a partir desta iniciativa que surgiu o projeto, vinculado ao pós-doutoramento da pesquisadora, junto ao Programa de Pós Graduação em Desenvolvimento Rural Sustentável (PGDRS/UNIOESTE).
A rede monitora a disponibilidade hídrica durante os períodos seco e chuvoso, além da qualidade da água de rios e igarapés em comunidades tradicionais da Terra Indígena Igarapé Lourdes, localizada em Ji-Paraná, e das comunidades quilombolas de Santa Fé e Forte Príncipe da Beira, no município de Costa Marques, todas localizadas em Rondônia.
“Receber esse reconhecimento de nosso projeto como uma prática inspiradora no cenário nacional é uma grande honra e uma confirmação de que estamos no caminho certo. Nosso compromisso é construir pontes entre o conhecimento científico e os saberes tradicionais, promovendo a transferência de tecnologias e fortalecendo o protagonismo das comunidades tradicionais. Acreditamos que essa integração é essencial para ampliar a resiliência climática e construir soluções sustentáveis para a Amazônia. E ações assim só são possíveis, pois contamos com um coletivo incrível de pesquisadores e parceiros”, ressalta Reis.
Segundo a coordenação do projeto, entre os principais resultados alcançados estão o reconhecimento e a valorização dos saberes locais, a inclusão de grupos socialmente vulneráveis e expostos aos riscos de desastres, o fortalecimento de políticas locais de prevenção e redução de riscos, a integração entre comunidades e diferentes instituições, além do estímulo ao protagonismo comunitário na produção e utilização do conhecimento.
Participação comunitária
O projeto envolve lideranças comunitárias, agentes locais e moradores da comunidade participantes, mobilizando cerca de 70 pessoas. Também participam aproximadamente 60 estudantes de graduação e pós-graduação, além de profissionais da educação básica e superior.
A iniciativa reúne ainda coletivos, a exemplo da integração da ação de divulgação da campanha junto ao Núcleo de Estudos em Agroecologia e Produção Orgânica (NEA Mãe Reis), além de organizações não governamentais, núcleos comunitários e outras organizações da sociedade civil, fortalecendo redes locais de colaboração e troca de conhecimentos.
“A parceria estabelecida com as comunidades se consolida cada vez mais, por meio de ações no território, formações, eventos conjuntos e produção de conhecimento em parcerias. O monitoramento permanente por meio de estações micrometeorológicas está em pleno funcionamento nas comunidades, que participam da instalação, manutenção e interpretação dos dados”, explica Nara Reis.
A rede prevê sua expansão para mais duas comunidades tradicionais de Rondônia e o estabelecimento de parcerias com comunidades extrativistas no Amapá, com a instalação de novas estações meteorológicas, por meio de projetos fomentados pela Iniciativa AM+10.
Texto: Josiane Santos - LBA/Inpa
Fotos: Projeto Iniciativa Am+10, Cemaden Educação