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Estudo do LBA destaca a importância de fragmentos florestais urbanos para o solo e o ciclo da água

Publicado por Josiane Santos | Publicado em 13/02/26 12:45 , Atualizado em 13/02/26 12:54 | Acessos: 33

A pesquisa analisou a composição química da chuva ao longo de três anos nos períodos de seca e de chuva (Foto: Adriano Arcos)

Estudo desenvolvido pelo Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA/Inpa) reforça a importância de fragmentos florestais urbanos, como o Bosque da Ciência, para o enriquecimento do solo e a dinâmica do ciclo hidrológico. A pesquisa foi liderada por Adriano Nobre Arcos, coordenador de hidrologia do LBA. 

A pesquisa comparou a concentração de nutrientes presentes na chuva que cai diretamente em áreas abertas, sem interferência da vegetação (precipitação total), com a chuva que atravessa a cobertura florestal antes de atingir o solo (precipitação interna). As análises consideraram tanto o período de estiagem quanto o período chuvoso. 

Os dados foram coletados no Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), com o uso de pluviômetros para coletar e medir a quantidade de chuva, e as amostras foram analisadas no Laboratório de Química Ambiental (LQA/Inpa), entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022.

Segundo o estudo, a água da chuva que atravessa folhas, galhos e troncos carrega nutrientes e minerais presentes depositados nessas superfícies. Desta forma, a água que chega ao solo é mais rica em nutrientes do que a água da chuva que cai diretamente em áreas abertas. 

De acordo com Arcos, primeiro autor do artigo, a sazonalidade e a cobertura vegetal influenciam na dinâmica hidrológica e na composição química da água em fragmentos florestais urbanos. “A manutenção desses fragmentos garante serviços vitais, como a recarga de aquíferos, a purificação da água, a regulação do clima e a manutenção da biodiversidade, assegurando a sustentabilidade hídrica nas cidades”, afirma. 

Diferenças entre o período seco e o chuvoso

Os resultados mostram que a precipitação interna apresentou concentrações mais altas de nutrientes em ambos os períodos sazonais. Como há menos água para diluir os nutrientes no período de estiagem, as partículas passam mais tempo acumuladas na atmosfera e nas folhas, antes da próxima chuva.  

Já no período chuvoso, o maior volume de água dilui os nutrientes e poluentes, reduzindo a concentração de nutrientes por volume de água. “No período chuvoso, o maior volume de água dilui os elementos presentes na atmosfera e na vegetação. Além disso, durante a seca, ocorre um acúmulo maior de partículas e poluentes na atmosfera e nas superfícies das plantas (folhas e troncos) por períodos mais longos. Outros fatores contribuintes incluem a ocorrência de queimadas na região e a direção dos ventos vindos de áreas urbanas, que transportam nutrientes e poluentes que acabam sendo depositados na floresta”, explica Arcos. 

O Bosque da Ciência é uma área de visitação pública do Inpa, com aproximadamente 13 hectares, localizado no campus I do Inpa, na zona centro-sul de Manaus.  Além da sua importância na divulgação científica, o Bosque atua como um importante fragmento florestal urbano, contribuindo para a manutenção dos serviços ecossistêmicos.  

Autores:

Adriano Nobre Arcos, Camila Carvalho Rodrigues de Oliveira e Hillândia Brandão da Cunha do LBA/Inpa; Ana Rosa Tundis Vital Trigo, Lueyne Emanuelle dos Santos Silva, Maria Terezinha Ferreira Monteiro, Sávio José Filgueiras Ferreira e Márcio Luiz da Silva do Inpa. 

Artigo:

Arcos, A. N. et al. (2025). Variação sazonal e composição química da precipitação total e interna em fragmento florestal urbano na Amazônia Central Brasileira. Revista Brasileira de Recursos Hídricos, 30(e40). https://doi.org/10.1590/2318-0331.302520250014 

Texto: Josiane Santos - LBA/Inpa

Fotos: Adriano Nobre - LBA/Inpa